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Dia Litúrgico: Domingo IX (A) do Tempo Comum

Evangelho (Mt 7,21-27): «Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor! Senhor!, entrará no Reino dos Céus, mas só aquele que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus. Naquele dia, muitos vão me dizer: «Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizamos? Não foi em teu nome que expulsamos demônios? E não foi em teu nome que fizemos muitos milagres?’. Então, eu lhes declararei: ‘Jamais vos conheci. Afastai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade’.

»Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática é como um homem sensato, que construiu sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra a casa, mas a casa não desabou, porque estava construída sobre a rocha. Por outro lado, quem ouve estas minhas palavras e não as põe em prática é como um homem sem juízo, que construiu sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos sopraram e deram contra a casa, e ela desabou, e grande foi a sua ruína!».

Comentário: Rev. D. Antoni CAROL i Hostench (Sant Cugat del Vallès, Barcelona, Espanha)

A vontade de meu Pai que está nos céus

Hoje notamos que Jesus exige não somente escutar a sua palavra, senão —e sobretudo— aderir-nos coerentemente a ela. Assim, diz Ele, «entrará no reino dos céus (...) mas só aquele que põe em prática a vontade do meu Pai» (Mt 7,21). Jesus Cristo pode exigir pessoalmente tal coisa porque Ele mesmo é Deus, o Filho de Deus.

Que a nossa fé se tem de viver «com obras e de verdade» (1Jo 3,18) é algo que se pregou desde os inícios do cristianismo. Mas o Papa Bento, na sua encíclica Spe salvi recordava-o —poderíamos dizer— com uma linguagem moderna: a mensagem cristã não somente é uma questão “informativa", senão que é e, tem de ser uma realidade "performativa”. «Isto significa que o Evangelho não é só uma comunicação de coisas que se podem saber, senão uma comunicação que comporta fatos e muda a vida».

«Jamais vos conheci» (Mt 7,23): Libere-nos Deus de ter de escutar algum dia estas palavras tão severas! Convém-nos prestar atenção a um fato que, de antemão, pode nos causar surpresa: Jesus Cristo sente-se diretamente afetado pela nossa resposta (ou “não resposta”) de fé; Ele faz dela uma coisa pessoal. E não é para menos: o cristianismo não é uma ideologia, nem um simples programa ético, senão, sobretudo um encontro pessoal com Alguém. Nesta mesma linha, João Paulo II afirmava que o fundamento da moral cristã consiste precisamente no seguimento de Cristo.

É muito oportuna a imagem do homem que «construiu sua casa sobre a areia»: homens sem razão, homens derrubados! (cf. Mt 7,26-27). Uma sociedade sem Deus (ou que, na prática, se afasta da lei de Deus) é uma sociedade encalhada porque lhe falta o “motor” da esperança. Quando o homem se afasta de Deus, o homem se afasta também do homem. Em vez disso é «feliz o homem (…) que põe o seu amor na lei do Senhor (…). É como uma árvore plantada à beira de um rio, que dá fruto no devido tempo; suas folhas nunca murcham» (Sal 1,1-3).