Meditando o Evangelho de hoje

Dia Litúrgico: Sexta-feira da 24ª semana do Tempo Comum

Ver 1ª Leitura e Salmo Responsorial

Evangelho (Lc 8,1-3): Naquele tempo, Jesus percorria cidades e povoados proclamando e anunciando a Boa Nova do Reino de Deus. Os Doze iam com ele, e também algumas mulheres que tinham sido curadas de espíritos maus e de doenças: Maria, chamada Madalena, de quem saíram sete demônios; Joana, mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes; Susana, e muitas outras mulheres, que os ajudavam com seus bens.

Comentário: Cardenal Raniero CANTALAMESSA (Città del Vaticano, Vaticano)

«Os Doze iam com ele, e também algumas mulheres»

Hoje admiramos as mulheres que seguiram Jesus por Ele mesmo, por gratidão pelo bem que d’Ele tinham recebido («tinham sido curadas de espíritos malignos e de doenças»). Não O seguiam na esperança de fazer carreira depois. Este é um dos sinais mais seguros da honestidade e da credibilidade histórica dos Evangelhos: o papel modesto que neles desempenham os autores e inspiradores dos Evangelhos, e o papel magnífico que é atribuído às mulheres.

A sua presença junto do Crucificado e do Ressuscitado contém para nós uma lição vital. A nossa civilização, dominada pela técnica, precisa de um coração para que o homem possa nela sobreviver sem se desumanizar totalmente. Temos de dar mais espaço às razões do coração, se quisermos evitar que o nosso planeta colapse espiritualmente numa era glacial.

Não é difícil compreender porque estamos tão ansiosos em aumentar os nossos conhecimentos e tão pouco em aumentar a nossa capacidade de amar: o conhecimento traduz-se automaticamente em poder, o amor em serviço. «A ciência envaidece, ao passo que a caridade edifica» (1Cor 8,1).

Na verdade, nenhuma mulher esteve envolvida, nem sequer indiretamente, na condenação de Jesus Cristo. Até a única mulher pagã mencionada nos relatos, a esposa de Pilatos, se dissociou da sua condenação (cf. Mt 27,19). É certo que Jesus morreu também pelos pecados das mulheres, mas historicamente só elas podem verdadeiramente dizer: «Eu não sou responsável pelo sangue deste homem» (Mt 27,24).

Sempre nos perguntámos porque é que as santas mulheres foram as primeiras a ver o Ressuscitado e porque lhes foi confiada a missão de O anunciar aos apóstolos. A verdadeira resposta é esta: elas foram as primeiras a ver o Ressuscitado porque tinham sido as últimas a abandoná-Lo morto e, mesmo depois da morte, foram levar aromas ao seu sepulcro (cf. Mc 16,1).

Com elas estava Santa Maria: as mães não abandonam um filho, nem sequer condenado à morte.

(Da pregação da Sexta-feira Santa de 2007, na Basílica de São Pedro)

Pensamentos para o Evangelho de hoje

  • «É melhor para um homem confessar as suas quedas, do que endurecer o seu coração» (São Clemente de Roma)

  • «Diante do costume judeu da época, que considerava às mulheres seres de segunda categoria, Cristo inicia um tipo de emancipação da mulher» (Bento XVI)

  • «Desde as origens da Igreja, houve homens e mulheres que se propuseram, pela prática dos conselhos evangélicos, seguir mais livremente Cristo e imitá-Lo de modo mais fiel. Cada qual a seu modo. Levaram uma vida consagrada a Deus (…)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 918)

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