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Jesus nos Mistérios do Rosário

Mistérios Dolorosos
  1. Jesus morre na Cruz
    1. Crucifixão de Jesus

Já chegámos ao “ponto culminante” da vida de Jesus. Aquele “final dramático” no Monte Calvário (o nome do lugar - da Caveira - já diz tudo!) não foi improvisado: embora nos pareça incrível, antes da criação do mundo, Deus já o tinha “pre-visto” (outro Mistério!).

São Paulo - que punha por escrito a tradição em que o estavam a instruir - é inteiramente explícito: «Deus, elegeu-nos n’Ele [em Jesus Cristo], antes da criação do mundo (…), através do seu sangue» (Ef 1,3-4.7) (abreviámos a citação, tirando-lhe talvez algum brilho). Foi assim que o Pai do Céu nos abençoou: com o Sangue de seu Filho!

Quando Jesus foi “descravado” e “baixado” da SUA Cruz e depositado no regaço de sua (nossa) Mãe, já não lhe ficou nenhum Sangue: tinha-o derramado TODO pela nossa felicidade eterna (para ampliar: «Ele tomou o vinagre e disse: “Está consumado”. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito»).

***

 

1º) «Quando chegaram ao lugar chamado “Calvário”, crucificaram-no» (Lc 23,33). Novamente nos surpreende a brevidade desta descrição, quase como se se tratasse de algo normal ou natural n’Ele: simplesmente, «crucificaram-no». Tal como no seu nascimento: poucas palavras, com naturalidade!

um Grande Amor (Infinito!) pode explicar um sofrimento tão sereno, vivido com tanta naturalidade. Sintetizando: não é a violência de uma cruz (com cravos!), nem os insultos… que nos redimem; o que nos “eleva” é o Amor que Jesus mostra com a sua misericórdia, paciência, obediência, generosidade, compreensão… (tudo isto numa situação dolorosa quase-insuportável).

Depois do pecado original (e de incontáveis pecados pessoais), do que o homem necessitava era de um “excesso” de Amor, de uma “esperança inquebrantável” de salvação (para ampliar: «A fim de que todo o que nele crer tenha vida eterna»).

 

2º) «Depois de O terem crucificado, repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte» (Mt 27,35). Este detalhe não foi um simples “detalhe”: é narrado nos quatro Evangelhos. Há aqui mais do que as vestes de Jesus. Para já, desde o ponto de vista físico, cumpre-se literalmente o Sal 22,19 (causa assombro a precisão da profecia). Mas há mais, muito mais!: trata-se de um “despojamento” vital. Amor significa “despojamento” (renúncia) de si próprio para se dar aos outros. Não é só despojar-se da roupa (o que foi tremendamente vergonhoso!, para Jesus e para sua Mãe); é o despojamento de Si Próprio (escondendo - desde Getsémani – a sua Divindade, num «esvaziar-se no interior da sua potestade», conforme escreveu Sto. Hilário de Poitiers no séc. IV).

Tudo isto está perfeitamente descrito por S. Paulo em Fl 2,6-8. Cristo não se valeu nem da sua condição divina (é evidente, pois estavam a provocá-Lo para que – descendo da cruz - demonstrasse que era o Filho de Deus…, mas Ele não cedeu a essa miserável chantagem), nem sequer se valeu da sua beleza humana, porque «tomou forma de servo (…) e rebaixou-se a si mesmo tornando-se obediente até à morte e morte de cruz» (Fl 2,7-8) (a “morte de cruz” era o mais inconcebível que podia acontecer a alguém). Podíamos dizer que o Filho de Deus vive um duplo “despojamento”: a Encarnação e a Paixão (há maior despojamento em “fazer-se homem” do que em “crucificar-se”…: para o dizer de algum modo, é mais longo o trajecto que vai do Céu à terra do que o Caminho da Cruz) (para ampliar: «Notou como os convidados escolhiam os primeiros lugares....»).

Chegando a este ponto, regressamos novamente à “naturalidade” (com que Cristo vive todo o “despojamento” da sua Paixão). Para as Pessoas Divinas (Pai, Filho e Espírito Santo) o natural é existir (ser) numa eterna e permanente renúncia de Amor (despojamento, humilhação, esvaziamento, aniquilação… amorosos). Na vida de Jesus - mais visivelmente na sua Paixão - essa corrente trinitária de “despojamento amoroso” envolve-nos plenamente a nós. Também o Pai vive esse “despojamento amoroso”, pois não se apegou a seu Filho, mas no-Lo entregou… Também o Espírito Santo (que é “dom” de ambos; “Senhor e Doador de vida”)... Deus é assim! Oxalá Ele nos conceda que entendamos! (nem que seja minimamente).

 

3º) «Pilatos redigiu um letreiro e mandou pô-lo sobre a cruz. Dizia: ‘Jesus Nazareno, Rei dos judeus’» (Jo 19,19). Com este título, Pilatos - que continuava a brincar insensatamente - troçava dos judeus, que, evidentemente, se queixaram. A resposta foi: «O que escrevi, está escrito» (Jo 19,22). Em todo o caso, nem era correcta a versão de Pilatos, nem aquela que os judeus pretendiam. A “versão” cristã é: «O meu reino não é deste mundo» (Jo 18,36).

Um Deus-Rei que, nascido num estábulo, envolto em panos e, ainda mais gritante, morre “envolto em panos” (quer dizer, sem nada). Depois do que foi dito sobre o “despojamento amoroso” resta só re-afirmar que Deus, mais do que “poder absoluto”, é principalmente “amor absoluto”: «A sua soberania não se manifesta prendendo-se ao que é seu, mas entregando-o» (H.U. von Balthasar) (para ampliar: «Bendito o que vem em nome do Senhor»).