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Meditando o Evangelho de hoje
Evangelho de hoje + homilía (de 300 palavras)
Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem, para os que esperam na sua bondade, para libertar da morte as suas almas e os alimentar no tempo da fome.
A nossa alma espera o Senhor: Ele é o nosso amparo e protector. Venha sobre nós a vossa bondade, porque em Vós esperamos, Senhor.
Ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra. E, da nuvem, uma voz dizia: «Este é o meu filho amado, nele está meu pleno agrado: escutai-o!». Ouvindo isto, os discípulos caíram com o rosto em terra e ficaram muito assustados. Jesus se aproximou, tocou neles e disse: «Levantai-vos, não tenhais medo». Os discípulos ergueram os olhos e não viram mais ninguém, a não ser Jesus. Ao descerem da montanha, Jesus recomendou-lhes: «Não faleis a ninguém desta visão, até que o Filho do Homem tenha sido ressuscitado dos mortos».
«Este é o meu filho amado, nele está meu pleno agrado: escutai-o!»
Diácono D. Josep MONTOYA Viñas (Valldoreix, Barcelona, Espanha)Hoje, no início da Quaresma, a liturgia da Palavra convida-nos a contemplar o mistério da Transfiguração do Senhor: «Jesus (…) os fez subir a um lugar retirado, numa alta montanha. E foi transfigurado diante deles » (Mt 17,1-2), uma experiência que eles não esquecerão (cf., por exemplo, 2 Pe 1,16-19). Que Cristo transforma a nossa vida é uma experiência de que, mais ou menos, todos podemos dar testemunho. Tantas vezes o Senhor nos dá vida fazendo com que pequenos gestos da nossa existência quotidiana se transformem em acontecimentos extraordinários.
Tantas vezes as nossas orações e pedidos se tornam realidade e nos surpreendem, como a presença resplandecente de Jesus, que hoje deixa Pedro, Tiago e João maravilhados. Porque Jesus é a revelação do amor do Pai em nós. E então podemos fazer nossas as palavras de Simão Pedro: «Senhor, é bom ficarmos aqui» (Mt 17,4).
Mas logo em seguida, o Pai convida-nos a assumir uma atitude que tantas vezes nos custa pôr em prática: «Este é o meu filho amado, nele está meu pleno agrado: escutai-o!» (Mt 17,5). Em várias ocasiões o Papa Leão XIV tem-nos recordado que «Cristo transforma a vida e chama-nos a escutá-Lo». Esta é a chave da Transfiguração: escutar o Filho de Deus. Escutar a Palavra… significa também prestar atenção aos nossos pastores, escutar o filho ou a filha com inquietações, ou aquela pessoa que vive na solidão ou no desespero, ou o doente… e, sobretudo, escutar o nosso coração na oração, de onde o Senhor nos fala.
«Levantai-vos, não tenhais medo» (Mt 17,7), diz-lhes imediatamente Jesus Cristo. A Transfiguração é também uma antecipação da Ressurreição. Recorda-nos que, depois da cruz, vem a Glória. Nos momentos de escuridão, doença ou sofrimento, esta cena dá-nos esperança: a última palavra não pertence à dor, mas à luz. Oxalá esta atitude de surpresa, esperança e escuta nos acompanhe especialmente nesta segunda semana da Quaresma.
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Nessa transfiguração era sobretudo uma questão de afastar do coração dos discípulos o escândalo da cruz, e desta forma evitar que a humilhação da paixão voluntária perturbasse a fé deles» (S. Leão Magno)
«Escutai-O. Este convite do Pai é muito importante. Nós, os discípulos de Jesus, somos chamados a ser pessoas que ouvem a sua voz e levam a sério as suas palavras» (Francisco)
«Os evangelhos referem, em dois momentos solenes, no batismo e na transfiguração de Cristo, a voz do Pai, que O designa como seu
Filho muito-amado´. Jesus designa-Se a Si próprio comoo Filho único de Deus´ (Jo 3, 16), afirmando por este título a sua preexistência eterna. E exige a fé «no nome do Filho único de Deus» (Jo 3, 18) (...)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 444)
Outros comentários
«E foi transfigurado diante deles»
Rev. D. Jaume GONZÁLEZ i Padrós (Barcelona, Espanha)Hoje, a caminho da Semana Santa, a liturgia da Palavra mostra-nos a Transfiguração de Jesus Cristo. Apesar de termos no nosso calendário litúrgico festivo um dia reservado a este acontecimento (6 de Agosto), agora somos convidados a contemplar a mesma cena na sua íntima relação com o sucedido na Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor.
Efetivamente, aproximava-se a Paixão de Jesus e seis dias antes de subir ao Tabor anunciou-o com toda a clareza: tinha-lhes dito que «era necessário Ele ir a Jerusalém, sofrer muito da parte dos anciãos, sumos sacerdotes e escribas, ser morto e, no terceiro dia, ressuscitar» (Mt 16,21).
Mas, os discípulos não estavam preparados para ver sofrer o seu Senhor. Ele, que sempre se tinha mostrado compreensivo com os desamparados, que devolvera a brancura à pele danificada pela lepra, que tinha iluminado os olhos de tantos cegos, e que tinha feito mover os membros inertes, agora não podia ser que o seu corpo se se desfigura por causa de golpes e flagelações. E, contudo, Ele afirma sem condescendências: «Devia sofrer muito». Incompreensível! Impossível!
Apesar de todas as incompreensões, porém, Jesus sabe para que veio ao mundo. Sabe que deve assumir toda a fraqueza humana e a dor que ensombra a humanidade, para poder divinizá-la e, assim, resgatá-la do circulo vicioso do pecado e da morte, de tal forma que esta —a morte— uma vez vencida, já não mantenha escravizados os homens, criados à imagem e semelhança de Deus.
Por isso a Transfiguração é um esplêndido ícone da nossa redenção, onde a carne do Senhor se apresenta no esplendor da ressurreição. Assim, se com o anuncio da Paixão provocou angustia nos Apóstolos, com o fulgor da sua divindade confirma-os na esperança e antecipa-lhes o gozo pascal, apesar de, nem Pedro, nem Santiago, nem João saberem exatamente que significa isso de… Ressuscitar de entre os mortos (cf. Mt 17,9). Em breve o saberão!