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Meditando o Evangelho de hoje

Evangelho de hoje + homilía (de 300 palavras)

23 de outubro: Santo Inácio de Constantinopla, bispo
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Evangelho (Jo 15,9-17): Naquele tempo, Jesus disse aos discípulos: «Como meu Pai me ama, assim também eu vos amo. Permanecei no meu amor. Se observardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu observei o que mandou meu Pai e permaneço no seu amor.

»Eu vos disse isso, para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa. Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida por seus amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai.

»Não fostes vós que me escolhestes; fui eu que vos escolhi e vos designei, para dardes fruto e para que o vosso fruto permaneça. Assim, tudo o que pedirdes ao Pai, em meu nome, ele vos dará. O que eu vos mando é que vos ameis uns aos outros».

«Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai»

Rev. D. Antoni CAROL i Hostench (Sant Cugat del Vallès, Barcelona, Espanha)

Hoje, a cristandade no Oriente e no Ocidente, celebra Santo Inácio de Constantinopla (799-877), um pastor que viveu estas palavras fundamentais de Jesus: «Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos» (Jo 15,13). Inácio, filho do imperador Miguel I, passou da corte para o mosteiro, e da dignidade patriarcal para o exílio, mas em cada etapa da sua vida manteve um único centro: permanecer no amor de Cristo, tal como Ele próprio nos pede («Permanecei no meu amor»).

O fruto que o Senhor espera de nós nasce da obediência aos seus mandamentos. Santo Inácio viveu esta obediência com uma integridade heroica. Como Patriarca, não procurou o favor dos poderosos nem o conforto do palácio, mas a fidelidade à Verdade. A sua firmeza doutrinal, num contexto de tensões e divisões, poderia parecer dureza. Mas, na realidade, nascia de um amor profundo: o desejo de permanecer na verdade para não romper a verdadeira comunhão. Nas palavras do Papa Leão, «sem a Verdade não se podem construir relações verdadeiramente pacíficas», uma Verdade — além disso — que «nunca se separa da caridade».

Quando Inácio teve de escolher entre agradar ao césar Bardas ou a coerência moral do Evangelho, aderiu ao caminho da cruz. Foi muito corajoso ao repreender o regente pelo repúdio da sua esposa legítima. Essa decisão custou-lhe o cargo e o exílio — com injúrias e perseguição — mas, ao mesmo tempo, confirmou-o como um verdadeiro «amigo do Senhor» (cf. Jo 15,15).

Santo Inácio de Constantinopla ensina-nos que o amor cristão não é uma emoção passageira, mas uma determinação firme de fazer a vontade de Deus, mesmo quando o mundo nos vira as costas. Ele não se escolheu a si mesmo para a glória; foi o Senhor quem o escolheu e destinou para que fosse e desse um fruto que permanece na história da Igreja. Hoje, Santo Inácio é recordado pela sua coragem e firmeza na fé, servindo de inspiração para os cristãos perseguidos.