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Meditando o Evangelho de hoje
Evangelho de hoje + homilía (de 300 palavras)
Ficai certos: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, não deixaria que fosse arrombada sua casa. Vós também ficai preparados! Pois na hora em que menos pensais, virá o Filho do Homem».
«Sede como pessoas que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento»
Rev. D. Antoni CAROL i Hostench (Sant Cugat del Vallès, Barcelona, Espanha) Hoje somos interpelados pela advertência de Jesus: «Estejam cingidos os vossos rins e acesas as vossas lâmpadas» (Lc 12,35). Esta exortação à vigilância percorre todo o Evangelho: não se trata de viver numa tensão angustiada, mas numa disponibilidade amorosa. de Clúnia (c. 878/879 – 942), abade e reformador, compreendeu esta palavra como um projeto de vida: cingir-se é ordenar o coração; acender a lâmpada é deixar que a oração alimente a luz interior.
Para Odão, a vigilância nasce do desejo. Não é o medo do castigo que mantém desperto o servo fiel, mas a alegria de esperar o regresso do Senhor. Na vida cluniacense, a liturgia — celebrada com cuidado e perseverança — era escola desta espera: cada salmo, cada noite de vigília, afinava o ouvido para reconhecer os passos do «Esposo». Por isso, Odão exortava os seus monges a não adormecerem na rotina, considerando que o tempo presente é frágil e que é maravilhoso dedicá-lo a Deus.
Jesus acrescenta uma promessa surpreendente: o Senhor que volta cingir-se-á e servirá os seus servos. Aqui resplandece a espiritualidade de Odão: o abade não se colocou acima, mas no meio, como pai que serve. Reformar não foi para ele impor cargas, mas reavivar a caridade. Assim, a vigilância torna-se concreta: cuidar da vida comum, sustentar o fraco, perseverar quando parece que «o senhor tarda».
O Evangelho adverte também contra a falsa segurança. Não sabemos a hora! Odão, consciente da instabilidade humana e social do seu tempo, insistia em viver cada dia como oferta. Não uma fuga do mundo, mas um modo de o habitar com o coração ancorado em Deus. A lâmpada acesa é uma vida unificada, sem duplicidades.
Nas palavras do Papa Leão XIV, «a vigilância cristã não é ansiedade pelo amanhã, mas fidelidade hoje; é manter o azeite da esperança para que a fé não se apague». À luz de São Odão, o Evangelho convida-nos a uma vigilância que canta, reza e serve.
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Não é o lugar que santifica o homem, mas o homem que santifica o lugar com a sua fé» (São Odão, Abade de Clúnia)
«São Odão de Cluny foi um verdadeiro guia espiritual tanto para os monges como para os fiéis do seu tempo. Diante do “grande número de vícios” difundidos na sociedade, o remédio que ele propunha com decisão era uma mudança radical de vida, fundada na humildade, na austeridade, no desapego das coisas efêmeras e na adesão às eternas» (Bento XVI)
«(…) A vigilância do coração é recordada com insistência (…). A vigilância é “guarda do coração”, e Jesus pede ao Pai que “nos guarde em seu Nome” (Jo 17,11). O Espírito Santo procura despertar-nos continuamente para esta vigilância. Este pedido adquire todo o seu sentido dramático quando se refere à tentação final do nosso combate na terra; pede a perseverança final (…)» (Catecismo da Igreja Católica, 2.849)